Bacuri universal

Posted on 16/03/2010. Filed under: Diversos, Sem categoria | Tags: , , , , , , , , , , , , , , , , , , |

Sistema de manejo do fruto no Maranhão reduz desmatamento e preserva a bacia amazônica

Por: Fred Furtado e Isabela Fraga

Publicado em 01/02/2009 | Atualizado em 23/09/2009

Com sabor e aroma agradáveis, além de muito nutritivo, o bacuri pode se tornar uma fruta de consumo generalizado no país, a exemplo do guaraná e do açaí (foto: José Silva)

Depois do guaraná, do cacau, do açaí e do cupuaçu, hoje consumidos em todo o país, uma nova fruta pode seguir o mesmo caminho: o bacuri. Encontrado sobretudo na bacia amazônica (Pará, Maranhão, Mato Grosso e Piauí), o bacurizeiro é uma espécie arbórea da família Clusiaceae, com potenciais ainda pouco explorados.

Além de saboroso, o fruto, de casca amarela, é tão rico em potássio quanto a banana, contendo ainda muitos outros sais minerais e vitaminas, principalmente do complexo B. O caule também pode ser utilizado na construção de caibros, canoas, cercas etc.

Para que o bacuri se torne uma fruta universal, no entanto, segundo a agrônoma Maria da Cruz Moura, da Agência Estadual de Pesquisa Agropecuária e Extensão Rural do Maranhão (Agerp/Seagro/Fapema), é preciso ampliar sua capacidade de oferta, totalmente dependente do extrativismo. Ela acredita no potencial da fruta por causa da boa aceitação comercial, apesar do preço elevado da polpa (R$ 26 o quilo).

“O bacuri conquista os nossos sentidos com seu aroma agradável, cor atraente, acidez moderada e alto teor nutritivo. Ainda são necessárias muitas pesquisas para conhecer melhor suas propriedades, mas é, sem dúvida, um mercado em ascensão.”

O bacurizeiro é uma das poucas espécies que têm polinização ornitófila (realizada por aves) e, no cerrado maranhense, os principais polinizadores são as pipiras e os periquitos. Para aumentar a densidade de bacurizeiros nativos, que varia de 0,5 a 1,5 por hectare, para 100 plantas por hectare, vem sendo empregado um sistema de manejo das rebrotas (filhotes) dos bacurizais nativos (SMRBN), criado pelos produtores do Pará e aperfeiçoado pela Embrapa Amazônia Oriental. “O bacuri tem uma característica ímpar, o rebrotamento é feito por suas raízes”, explica a pesquisadora.

O sistema de manejo consiste basicamente em aumentar a densidade da espécie, intercalando, enquanto não frutifica, com outras culturas alimentares, como feijão, mandioca, melancia etc. “Assim, não é preciso queimar novas roças para plantio e evita-se a agricultura itinerante. O sistema promove assim geração de renda e emprego”, observa a agrônoma. O SMRBN está sendo testado na Chapada Limpa, no Maranhão.

Risco de extinção

Uma espécie em risco: a paisagem de bacurizais vem sendo substituída de maneira acelerada por áreas de eucalipto, monocultura da cana-de-açúcar e soja (foto: Urano Carvalho).

Se medidas preservativas não forem tomadas rapidamente, no entanto, o bacuri poderá ser extinto. A paisagem de bacurizais, como conta Moura, vem sendo substituída de maneira acelerada por áreas de eucalipto, monocultura da cana-de-açúcar e soja.

A agrônoma enumera diversas ações para a preservação dos bacurizais, como a criação de leis de incentivo de uso, manejo e conservação. “Deve ser criada uma multa para quem cortar árvores com mais de 100 anos”, defende a pesquisadora, acrescentando que seria importante, ainda, a proposição de editais de financiamento para pesquisa da espécie e confecção de mudas.

Outra sugestão é a arborização de áreas urbanas com bacurizais. “As flores são lindas e, enxertadas, elas lembram uma árvore de Natal”, diz. A divulgação da importância socioambiental e nutricional da espécie é também uma medida importante para a sua preservação, fazendo com que a planta “deixe de ser invisível para tornar-se universal”.

Fred Furtado e Isabela Fraga
Ciência Hoje/RJ

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Nossa História

Posted on 21/05/2009. Filed under: Nossa História | Tags: , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , |

Em meados de 1991, o CTI e as lideranças dos Timbira iniciavam discussões em torno das condições de sua sobrevivência na região, em face dos crescentes desmatamentos e da falência do regime de assistência e apoio patrocinado pela FUNAI. Com a constatação de que apenas 15% dos solos das Terras Indígenas locais se prestam à agricultura, e de que era necessário cobrir os custos de bens e serviços antes custeados a fundo perdido pela FUNAI, buscavam-se alternativas de geração de renda que levassem em conta as práticas não destrutivas, autônomas e auto-sustentáveis dos Timbira.
Assim, o CTI realizou um diagnóstico na região e observou-se que a situação econômica dos pequenos produtores do meio rural é bastante semelhante no norte do Tocantins e sul do Maranhão, constatando as enormes dificuldades de obtenção de renda e as precárias condições de vida e de acesso a serviços básicos, como saúde, educação e transporte. Apesar de o Cerrado apresentar inúmeras espécies potencialmente comercializáveis – como, por exemplo, bacuri (Platonia insignis), bacaba (Oenocarpus bacaba), buriti (Mauritia flexuosa), cajá (Spondias lutea), murici (Birsonimia crassiflora) e araçá (Psidium araca) – a população utiliza pouco estes recursos para obtenção de renda, devido à falta de informação e incentivo político.
Desta forma, a FrutaSã foi concebida com o objetivo de buscar alternativas no que refere-se ao aproveitamento sócio-econômico-ambiental dos produtos nativos do Cerrado. Para tanto, tem como proposta alternativa e inteligente, a implementação de um empreendimento que tem como meta central, além de fatores de geração de renda, a conservação do bioma Cerrado através do seu uso pelo modo sustentável, fato não apresentado nos diversos grandes empreendimentos de desenvolvimento da região de análise.

Espera-se, no entanto, que além do uso racional dos recursos naturais o empreendimento crie, à medida que incentiva o extrativismo, grandes áreas de proteção no entorno das áreas indígenas.
A implantação da fábrica de polpa de fruta cria uma alternativa para desenvolvimento sustentável da região do Cerrado, permitindo aos pequenos produtores e comunidades indígenas a geração de renda através da coleta sustentada de frutos nativos com o objetivo de atender às necessidades básicas de consumo das famílias dos produtores locais, bem como dos povos indígenas e tradicionais da região.
A FrutaSã traz, em sua concepção, a responsabilidade e o envolvimento social, a amenização da pobreza, a mobilização e a organização popular, a geração de benefícios econômicos, sociais, culturais e ambientais e também uma proposta ideológica para a população envolvida e sua região.
Em 2004, FrutaSã foi agraciada com o Prêmio Chico Mendes (Ministério do Meio Ambiente) como “Negócios Sustentáveis do Ano”, sendo que no ano anterior a Wyty-Catë ganhou como “Associação do Ano”. Em agosto deste ano de 2005, a FrutaSã ganhou a certificação de tecnologia social pela Fundação Banco do Brasil, UNESCO e Petrobrás. Estes prêmios são o reconhecimento da importância do projeto, como promotor de uma atividade econômica, ideológica, social, cultural e ambiental diferenciada, na qual a cooperação entre os diferentes povos, e entre estes e a natureza, leva à melhoria da qualidade de vida e do meio ambiente de todos. Em 2007, a FrutaSã foi selecionada como finalista do Prêmio Iniciativa Equatorial 2006 promovido pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento, como único projeto brasileiro selecionado entre mais de 300 projetos inscritos de 70 países. Também em 2007 a FrutaSã foi vencedora do prêmio Negócios Sustentáveis do Conselho Empresarial Brasileiro de Desenvolvimento Sustentável – CEBDS.

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